quarta-feira, 24 de outubro de 2007

The Constant Lover

The Constant Lover (Magneta Lane)

Heard about this girl before
What happened to her, I'm not sure
She could never find real love
She's just a constant lover

And when you find the time
When he's just livin' off of someone else
City lights, my dear
Are looking oh-so-pretty from that hill

She goes 'Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh.'
And these voices in my head
Ooh ooh ooh ooh ooh ooh
They told me I would end up dead
Ooh ooh ooh ooh ooh ooh
If I fell asleep with you
What could I do?

While he's playing his guitar
She knows the songs and he'll get far
Girl, keep your beauty
They say that's your duty

And when it just ain't good
And you don't want his kisses anymore
Don't be a ragdoll, dear
'Cause he'll just keep you hangin' from that wall

And she goes 'Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh, ooh.'
And these voices in my head
Ooh ooh ooh ooh ooh ooh
They told me I would end up dead
Ooh ooh ooh ooh ooh ooh
If I fell asleep with you
What could I do?

Hey!

She loved
He came
He'll come back again

She loved
He came
He'll come back again

She loved
He came
He won't come back again, yeah

Heard about this girl before
What happened to her, I'm not sure
She could never find real love
She was a constant lover

And when it just ain't good
And you don't want his kisses anymore
City lights, my dear
Are looking oh-so-pretty from that wall

All right!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

CHORA UM BEM PERDIDO, PORQUE O DESCONHECEU NA POSSE.
(Gregório de Matos)


Porque não conhecia, o que lograva,
Deixei como ignorante o bem, que tinha,
Vim sem considerar, aonde vinha,
Deixei sem atender, o que deixava.

Suspiro agora em vão, o que gozava,
Quando não me aproveita a pena minha,
Que quem errou, sem ver, o que convinha,
Ou entendia pouco, ou pouco amava.

Padeça agora e morra suspirando
O mal, que passo, o bem, que possuía,
Pague no mal presente o bem passado.

Que quem podia, e não quis, viver gozando,
Confesse, que esta pena merecia,
E morra, quando menos confessado.

(obrigada mais uma vez Cá!)
Saber Amar é
Saber amar é esperar
não da vontade do outro
mas de saber-se o momento
não do momento oportuno
mas sim do tempo pois que
para quem sabe amar
a paciência é parte
impaciência à parte
saber amar é ensinar e aprender
sem mesmo o saber fazer
pois que não impõe-se
apenas se deixa ser
quem sabe amar tem estilo
não prepotente
seu estilo de jeito de saber se dars
aber amar é estar sintonizado
não preocupado pois que é tão espontâneo
que quem sabe amar sempre sabe
o que o outro até mesmo quer dar
saber amar é estar sempre atento
àquilo que nunca é dito
mas expressado em gesto
se há sempre de reconhecer
é claro que compreende tudo
e se não aceita todas as desculpas
há de com jeito fazê-las explicar
talvez um pouco de renúncia
pois que mais adiante ela se desfaz
existe um tom de amizade sempre a todo momento
na pessoa que sabe amar
não se aprende por experiência
de amor em amorquem sabe amar tem o dom
apenas o flui tranqüilo
quando encontra aquele que sabe
entender como receber esse amor
quem sabe amar entende que
vai se fazer falta
sente-se triste por provocar essa dor
mas isso faz parte do amor
apenas de quem sabe amar


Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

sábado, 15 de setembro de 2007

É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós.

Franz Kafka


POST-SCRIPTUM
Van Gogh não morreu num estado propriamente de delírio,
mas por ter sido corporalmente o campo de batalha de um problema em tomo do qual o espírito iníquo desta humanidade se debate desde as origens.
O problema do predomínio da carne sobre o espírito, do corpo sobre a carne ou do espírito sobre ambos.
E nesse delírio, onde está o lugar do eu humano?
Van Gogh o buscou durante toda sua vida com uma singular energia e determinação,
e ele não se suicidou num acesso de loucura, de desespero por não conseguir encontrá-lo,
mas, pelo contrário, ele havia conseguido, tinha descoberto o que era e quem era quando a consciência coletiva da sociedade, para puni-lo por ter rompido as amarras,
o suicidou.
E aconteceu com van Gogh como poderia ter acontecido com qualquer um de nós, por meio de uma bacanal, de uma missa, de uma absolvição ou qualquer outro rito de consagração, possessão, sucubação ou incubação.
Assim a sociedade inoculou-se no seu corpo, esta sociedade
absolvida,
consagrada,
santificada
e possuída,
apagou nele a consciência sobrenatural que acabara de adquirir e, como uma inundação de corvos negros nas fibras da sua árvore interna,
submergiu-o num último vagalhão
e, tomando seu lugar,
o matou.
Pois está na lógica anatômica do homem moderno nunca ter podido viver, nunca ter podido pensar em viver, a não ser como possuído.



deus
e juntamente com deus
os seus órgãos


Se quiserem, podem meter-me numa camisa de força
mas não existe coisa mais inútil que um órgão.
Quando tiverem conseguido um corpo sem órgãos,
então o terão libertado dos seus automatismos
e devolvido sua verdadeira liberdade.
Então poderão ensiná-lo a dançar às avessas
como no delírio dos bailes populares
e esse avesso será
seu verdadeiro lugar.


Antonin Artaud

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Rimbaud


Elle est retrouvée!
Quoi? L' éternité.
C est la mar mêlée
Au soleil

Mon âme éternelle,
Observe ton voeu
Malgré la nuit seule
Et le jour en feu.

Donc tu te dégages
Des humains suffrages,
Des communs élans!
Tu voles selon...

— Jamais l' ésperance.
Pas d' oríetur.
Science et patience,
Le suplice est sur.

Plus de lendemain,
Braises de satin,
Votre ardeur
C' ést le devoir.

Elle est retrouvée!
Quoi? L' éternité.
C' est la mer mêlée
Au soleil.

***
Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.